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UFSC começa a estudar desenvolvimento de prótese de voz no Brasil

Válvula pode ficar pronta para teste em até três anos e será pioneira no Brasil.

A pesquisa começou em fevereiro deste ano, mas promete um grande avanço para a saúde brasileira. O estudo para o desenvolvimento de novo modelo de prótese de voz (válvula traqueoesofágica), o único no Brasil, começou a ser feito pelo Laboratório de Vibrações e Acústica do Departamento de Engenharia Mecânica da UFSC, coordenado pelo professor Andrey Ricardo da Silva. Ele explica que a ideia surgiu há dois anos, quando a Finep (Financiadora de Estudos e Projetos) lançou o edital Viver sem Limite, que estimula estudos para a criação de novas tecnologias para auxiliar pessoas com cuidados especiais.

“A ideia de desenvolver uma prótese de voz foi pensando nas pessoas que em decorrências de vários tipos de câncer acabam tendo que extrair as pregas vocais, perdendo totalmente a fala. A prótese, que permite ao paciente voltar a falar, é oferecida no Brasil importada dos Estados Unidos ou da Suécia, o que encarece o produto. Em média ela custa R$ 1.700, com duração de no máximo seis meses”, diz. Ao desenvolver esse protótipo, conforme Andrey, a válvula vai baratear e passar a ser acessível a todos porque o SUS (Sistema Único de Saúde) auxilia com uma parte do valor.

Ainda em fase inicial, o estudo conta por enquanto com oito pesquisadores, entre alunos de graduação e pós-graduação e professores. “O projeto financiado pela Finep quer criar ainda um modelo de prótese que se adeque conforme as características fisiológicas de cada pessoa, já que algumas utilizam a prótese e nem sempre conseguem falar”, explica.

Para o professor, o projeto deve ser concluído dentro de três anos, embora o grupo esteja com dificuldade de trazer mais pesquisadores para o projeto, pois o Finep repassou o valor dos materiais, mas ainda não o da bolsa de estudos. “Temos vontade de ter consultoria, principalmente dos desenvolvedores internacionais que já produzem esse produto. Queremos trazer mais pesquisadores. Mas no momento não está sendo viável, pois os recursos estão escassos, segundo o que nos informaram”, afirma.

Válvula é o método de reabilitação mais efetivo

A válvula traqueoesofágica é o método de reabilitação mais efetivo para o resgate da fala em relação a outras técnicas já em desuso, como a eletrolaringe e a voz esofágica. “Este dispositivo consiste em uma válvula unidirecional que permite o uso do ar pulmonar para a indução de vibração dos tecidos remanescentes do esôfago, os quais passam a produzir som”, explica Andrey Ricardo da Silva.

Conforme o professor, a prótese é colocada entra a traquéia e o esôfago, fazendo o papel das pregas vocais. A prótese pode ser colocada quando o paciente faz a extração das pregas vocais, ou depois em um pequeno procedimento ambulatorial. “A prótese deve ser trabalhada em silicone cirúrgico. Isso será determinado durante o estudo, assim como valores. Só depois do estudo concluído é que vamos atrás de fabricantes para ver os preços dos materiais”, diz. O Cepon (Centro de Pesquisas Oncológicas de Santa Catarina) que trata pessoas com câncer tem sido parceiro do projeto, pois deve dar todo o suporte quanto a informações ao grupo de pesquisadores, além de disponibilizar os pacientes para futuramente serem feitos os testes.

Senador aprova e apoia projeto

Recentemente o senador Dalírio Beber (PSDB-SC) se reuniu na Fiesc com representantes da ACBG (Associação de Câncer de Boca e Garganta de Santa Catarina) e GAL (Grupo de Acolhimento aos Laringectomizados), com a finalidade de debater a inclusão do equipamento laringe eletrônica, utilizado em casos de laringectomia total, na tabela do SUS, como também apoiar o projeto de desenvolvimento da prótese da UFSC. Segundo a ACBG, 7.000 novos pacientes são registrados por ano no Brasil, e as principais causas desse câncer são cigarro, álcool e HPV.

O câncer de laringe é um dos mais comuns entre os que atingem a região da boca e do pescoço. Nos tumores avançados de laringe a cirurgia de retirada total do órgão (laringectomia total) é necessária. Como consequência, o paciente perde a fala e permanece definitivamente com um orifício aberto no pescoço para poder respirar.

Em casos de laringectomia total a reabilitação fonatória é feita através do uso da laringe eletrônica. Esse equipamento, mesmo produzindo uma voz de qualidade robótica e distante do padrão vocal habitual, é um recurso de utilização imediata, de fácil aprendizado e que possibilita maior independência na comunicação básica. “Diante desse cenário, surgiu a iniciativa da realização de audiência pública no Senado para ampliar esse debate e apoiar a demanda junto ao Ministério da Saúde e demais órgãos. São pacientes que literalmente precisam ter voz e por isso têm o nosso total apoio”, destacou o senador.

Fonte: Notícias do Dia

Psotado por Almir Rogério, em 29/05/2017

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