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Justiça nega pedido de cidadão e mantém permissão para uso da imagem de beata na marca turística de Imaruí

Uma ação popular movida por cidadão local questionava lei municipal por ter adotado a religiosa como símbolo.

A 1ª Câmara de Direito Público do TJ confirmou sentença que manteve permissão para o uso da imagem da beata Albertina Berkenbrock na marca gráfica turística oficial do município de Imaruí.

Uma ação popular movida por cidadão local questionava lei municipal de 2010 por ter adotado a religiosa como símbolo, em ofensa ao caráter laico do Estado, de forma que pedia ainda que mochilas distribuídas aos alunos da rede de ensino com a imagem e outras aplicações em prédios públicos e veículos oficiais fossem recolhidas e removidas. O Ministério Público referendava o pleito, ao argumento da inconstitucionalidade da medida.
Para o desembargador Jorge Luiz de Borba, relator designado da matéria, trata-se no caso de uma forma de divulgar variante do turismo religioso, capaz de trazer benefícios em prol da municipalidade. Segundo o desembargador, não se pode negar a relevância do turismo religioso, seja qual for a religião, assim como a tradição cristã no país.

“E isso independe da religião em foco: fosse a propagação de um notável religioso judaico, hindu, muçulmano, budista, ou de qualquer outra fé, pouco importaria, pois o mote também seria a promoção do turismo religioso, e não da religião em si”, ponderou. A decisão foi por maioria de votos e cabe apelação a instâncias superiores. 

QUEM FOI BEATA ALBERTINA BERKENBROK

Beata Albertina Berkenbrock foi uma menina a quem são atribuídos milagres. Em 2007 foi declarada oficialmente beata pela Igreja Católica Apostólica Romana.

Também conhecida como a Maria Goretti brasileira, nasceu na comunidade de São Luís, em Imaruí. Era filha do casal de agricultores, Henrique e Josefina Berkenbrock, e teve mais oito irmãos e irmãs.

Católica, ela foi assassinada em 15 de junho de 1931, aos doze anos de idade. Teve vida simples e humilde no meio rural.

A ela foram atribuídos milagres após sua morte violenta, depois de tentativa de estupro. Os milagres seriam obtidos por invocação junto a seu túmulo, o que motiva peregrinações.

A formação cristã instilou em Albertina a inclinação à bondade, às práticas religiosas e à vivência das virtudes cristãs, na medida em que uma menina de sua idade as entendia e podia vivê-las.

Nada de estranho se seus divertimentos refletiam seu apego à vida religiosa. Gostava de fazer cruzinhas de madeira, colocava-as em pequenos sepulcros, adornava-os com flores.

Foi no ambiente simples, belo e cristão de sua família que Albertina cresceu. Ajudava os pais nos trabalhos da roça e em casa. Foi dócil, obediente, incansável, sacrificada, paciente, mesmo quando os irmãos a mortificavam, e até lhe batiam. Ela suportava tudo em silêncio, unindo-se aos sofrimentos de Jesus que amava sinceramente.

TENTATIVA DE ESTUPRO E ASSASSINATO DA MENINA DE 12 ANOS

Conforme a história local, no dia 15 de Junho de 1931, Albertina estaria à procura de um boi fugitivo. De repente vê ao longe alguns chifres e corre naquela direção. Mas eram outros bois, que estavam amarrados. Como surpresa, porém, encontra perto deles um empregado de seu pai, Maneco, carregando feijão na carroça.

Para a pergunta de Albertina pelo boi desaparecido, o homem lhe dá uma pista falsa para encaminhá-la ao lugar onde poderia satisfazer seus desejos sem chamar atenção.

Maneco, que já tinha violentado outra menina, teria dito: “Hoje tenho que matar alguém” e, caso a garota não aceitasse, planejado usar o canivete para forçá-la.

Albertina teria seguido a indicação de Maneco, se embrenhado pela mata, e percebido alguns ruídos que ela pensava ser provocados pelo boi. Eis, porém, que, dá de cara com Maneco. Fica petrificada. Sozinha, no mato, com aquele homem na frente.

Maneco lhe teria proposto seus intentos, mas Albertina, decidida, não aceita, sabendo que o que o empregado lhe propunha era errado aos olhos de Deus. Então, Maneco teria tentado se apossar de Albertina à força, mas ela não se deixa subjugar.

Segundo os relatos, ela teria lutado contra o seu assassino, quase o derrubando. Mas em algum momento, ele a derrubou e a segurou, mesmo com todas as tentativas de resistência por parte da menina, que teria agarrado seu vestido e se cobrido o mais que pôde.

Então Maneco, derrotado moralmente pela menina, a assassinou por vingança, agarrando-a pelos cabelos, afundando o canivete no pescoço e a matando por degola, porém sem violá-la.

O assassino despistou o crime, dizendo que encontrou o corpo de Albertina e colocando a culpa de tudo em João Candinho: “Foi esse homem que matou Albertina!” O rapaz foi preso, protestou, jurou inocência aos prantos, mas foi tudo inútil. Os colonos, que testemunharam tudo, começaram a duvidar: “Acaso não seria Maneco o assassino?”

Como contam testemunhas, Maneco aparecia toda hora por perto da sala onde se velava o corpo de Albertina, e sempre que se aproximava, a ferida do pescoço de Albertina vertia sangue. Pensava o povo: “Não seria um sinal?”

Enquanto o povo cismava, Maneco tramava sua fuga.

Dois dias depois chegou o prefeito de Imaruí, que acalmou a população e mandou soltar João Candinho. Foi à capela, tomou um crucifixo e, acompanhado por Candinho e outras pessoas, foi à casa do pai de Albertina e o colocou sobre o peito da menina morta. Mandou também que João Candinho colocasse as mãos sobre o crucifixo e jurasse que era inocente, e ao fazer isto, segundo os presentes, a ferida parou de sangrar.

Entretanto, Maneco acabava de fugir. Preso em Aratingaúba, confessou este e outros crimes: confessou um cometido em Palmas, onde matara um sargento, e também o assassinato de um homem em São Ludgero. E também teria revelado que matou Albertina porque ela recusara ceder à sua intenção de manter relações sexuais com ela.

Maneco Palhoça foi levado para Laguna. Correu o processo, e ele foi condenado. Levado à penitenciária, onde faleceu anos depois de alguns anos.

Mas, apesar de sua morte terrível, Albertina continuou sendo exemplo para toda a região, sendo cultuada até hoje como sinônimo de generosidade, modéstia, auto sacrifício, obediência a Deus e pureza. 

BEATIFICAÇÃO DE ALBERTINA

A 44º Assembleia da CNBB, realizada em maio de 2006, formulou o seguinte pedido de beatificação:

“A Assembleia, em reunião reservada, acolheu favoravelmente a proposta de D. Jacinto Bergmann, Bispo de Tubarão, para que fosse apresentado ao Papa o pedido de beatificação de vários Servos de Deus do Brasil, cujo processo já está em fase adiantada na Congregação das Causas dos Santos. São eles: Lindalva Justo de Oliveira, Albertina Berkenbrock, Manuel Gómez González e Adílio Da Ronch (mártires), Francisca de Paula de Jesus (Nhá Chica) e Dulce Lopes Pontes. Os bispos assinaram o pedido a ser encaminhado ao papa Bento XVI (2ª sessão reservada)”.

A serva de Deus, Albertina Berkenbrock, com o decreto de beatificação, assinado pelo Papa Bento XVI, no dia 16 de dezembro de 2006, foi beatificada em 20 de outubro de 2007.

Fonte: Portal AHora

Postado por Almir Rogério, em 08/07/2017.

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